Tu és o vento,
e eu sou a árvore.
Vento, se pára, morre,
árvore, sem raiz, seca.
Tu vens ligeiro, me dar carinhos e balançar flores,
mas logo vai embora.
Eu, casca dura e muitos espinhos, ficarei plantada onde estou.
Vento, cavalo xucro, não tem morada,
tem redemoinho e estrada.
Como pode o vento se enamorar de árvore?
Acaso pode a árvore ir morar com o vento?
Mas não me causa pesar, não me causa dor o meu medo.
Fecho os olhos e te espero passar pra me abraçar, tempestivo.
Pra arrumar teus cabelos ventados e te dar beijos floridos,
antes que tu vás embora
e antes que venhas outra vez.
Mas como pode o vento se enamorar de árvore?
E acaso pode a árvore ir morar com o vento?
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