quarta-feira, 13 de julho de 2011

O descobrimento da saudade

Outro dia eu estava conversando com minha mãe sobre como a gente acaba se calejando na vida. Listei alguns nomes de pessoas que nunca mais verei na vida, tenho quase certeza, não por falta de vontade, a princípio, mas porque todo mundo segue um rumo e escolhe novos amigos, novos amores e novas vidas, ou porque acaba esquecendo de mandar um oizinho. Pra mim é difícil entender como amizades tão bonitas e profundas, em tão pouco tempo acabaram se tornando lembranças, muito boas é claro, mas com essa chata certeza de que não vai mais ser assim. Ou pior, lembrar da última vez que encontrei fulano ou beltrano, porque agora não nos veremos mais. Não por tragédia ou morte, mas por vida mesmo. E como eu sofri quando descobri que isso acontecia na vida da gente! Ela disse "credo guria, parece que está se despedindo do mundo!". Não, mãe, recém estou aprendendo a viver: recém descobri o que é saudade.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Epitáfio de fim de tarde

Quando eu morrer, minhas coisas ficarão pra trás, assim como meus dias. Talvez alguém guarde algo meu como lembrança, talvez algo que eu nem desse muita importância. Meu presente ficará ausente, meu corpo ficará em fotografias e, nas minhas poesias, minha alma. Com sorte, conseguirei deixar alguma sabedoria, talvez alguém lembre de alguma coisa que fiz ou algo que falei, como aquelas frases de vó que a gente aprende desde pequeno. Se ainda houver alguém aqui quando eu me for, vai ficar com a ausência, tempestuosa primeiro, serena depois. Mas pra onde eu vou, um dia a ausência ficará ausente, e quem a sentia - será mesmo que ainda haverá alguém?- vai viver a Presença todo dia, a Presença concreta, palpável e absolutamente completa, plenamente preenchedora e saciante de cada célula de corpo e de cada pedaço de alma. Ausência de ausências, transbordantes espaços antigamente vazios, finitude dos ciclos, extinção dos fins. Eternidade.