Estava sentado, mas sua alma tinha asas. Asas tão lindas e brilhantes, grandes e seguras que competiam com o sol, e quando batiam traziam o afago quente do vento norte, que dá vontade de voar, de correr, de amar e de viver. Porque em suas asas tem muitas histórias, tem gente, tem vagalume, tem flor, tem um pouco de dor, tem vida, e Vida em abundância.
Ele às vezes esquece que tem a alma alada... mas eu, que sem óculos às vezes enxergo outras coisas, escrevo pra tentar colocar meu olhos em seu coração, e suas asas na minha alma. Eu, que não tenho asas e não sei voar como ele, escreveria um milhão de palavras todo o dia, só pelo prazer de ver suas asas batendo, de ver o sol se escondendo diante do seu riso largo de quando voa. Escreveria ainda mais algumas, só pra ficar sentada ao seu lado em dia de vento norte.