domingo, 15 de maio de 2011
A coragem de perder
Nunca perco as coisas. Perdi as chaves uma vez na vida e perdi minha carteirinha do R.U. essa semana - o que me deixou com raiva! Sei onde estão todas as minhas coisas, de olhos fechados, faço backups dos meus arquivos de tempos em tempos e não perco os CDs. Não perco canetas - nem mesmo as tampas! Brincos, só por acidentes de tarrachinhas voadoras. Elástico de dinheiro e borrachinha de cabelo, sem esquecer dos clips de papel, também não me são perdidos. Nãoperco minhas anotações, minha escova de dentes, a lixa de unhas ou a pinça. Não perco nem a pecinha que vai no negocinho daquele treco. Não perco os guarda-chuvas nem os óculos. Também não perco a cabeça.
Engraçado, mas pessoas eu já perdi. E num dia desses re-encontrei o versículo (não que eu o tenha perdido!) que diz que aquele que estiver disposto a perder a sua vida, esse a encontrará.
Queria ter coragem de perder mais coisas e encontrar a vida. Perder meus livros, minhas fotografias, minhas lembranças. Meus medos, meus modos e a moda. Perder o emprego e o tempo, a luz e a vista da minha janela. A rotina, a segurança, o conforto e a voz amiga. Perder tudo - que aliás de tudo, nada é mesmo meu. Perder tudo, menos a coragem de perder, a coragem necessária pra encontrar a vida.
Engraçado, mas pessoas eu já perdi. E num dia desses re-encontrei o versículo (não que eu o tenha perdido!) que diz que aquele que estiver disposto a perder a sua vida, esse a encontrará.
Queria ter coragem de perder mais coisas e encontrar a vida. Perder meus livros, minhas fotografias, minhas lembranças. Meus medos, meus modos e a moda. Perder o emprego e o tempo, a luz e a vista da minha janela. A rotina, a segurança, o conforto e a voz amiga. Perder tudo - que aliás de tudo, nada é mesmo meu. Perder tudo, menos a coragem de perder, a coragem necessária pra encontrar a vida.
domingo, 8 de maio de 2011
Um conto
Lili foi morar na casa do cachorro. E veja só, que família engraçada, deu o nome de Lili pra menina e de Maria Lúcia pro cachorro. A casa do cachorro parecia ser tão pequena por fora, mas era tão grande quanto qualquer casa grande que você já tenha visitado. Lá dentro ela entrou em todos os 9 quartos e gostou muito da vista da sacada. Gostou muito da decoração antiga da sala, e perguntou se tinha sido a Maria Lúcia mesmo que tinha decorado. Como a mamãe lhe ensinou, pediu licença e foi se deitar. Como era bonito o quarto de visitas! Mas Lili ficou pensando: quem será que vem sempre aqui? No dia seguinte, na mesa do café, Lili perguntou: "Maria Lúcia, pra que tanto quarto nessa casinha?" "Ô, Lili, você não sabe? Um cachorro nunca sabe quando alguém vai resolver se mudar pra sua casinha. E conforme o tamanho da família, é melhor deixar tudo sempre pronto!" E enquanto a Lili tentava equilibrar a geléia na bolachinha, começou a fazer as contas. Não é que a Maria tinha razão? "Contando o vovô e a tia Zenilda, somos em nove!" E lambuzada de geléia, acrescentou: "Mas e o Jorge Luís?" "Ah, Lili, o Jorge Luís dorme na sala". E riram até doer suas barrigas. O Jorge Luís, todo estufado na cama, com mais cobertas do que um esquimó, ronronava lá na casa da Lili, cheio de todo o seu orgulho de gato Persa.
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