segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Baú

Ás vezes eu me esqueço que não tenho razão em tudo. Eu concordar comigo mesma não é uma amostra  estatisticamente confiável. Por que os humanos comuns escondem seus erros e colocam seu acertos em pedestais iluminados e sonoros, se possível no centro da cidade? Eu não quero ser a chata que sempre acerta, a sabichona que sempre diz "eu avisei", a sem estraga-prazeres que já sabia da novidade, desagradável que sente inveja das benfeitorias alheias, a velha que guarda um baú cheio de erros e mágoas. Quero não ter baús, quero gostar dos sorrisos como do vento, quero ficar calada e deixar que as descobertas se façam, quero ser ignorante em muitas, muitas coisas, pra sempre ser surpreendida outra vez. E se me restar um baú com algum azedume dentro, que ele seja bem pequeno. Que eu tenha alguém com quem abrir, que não diga que me avisou antes, e que possa colocar no lugar da mágoa um pouco de brilho, fechar a tampa e jogar a chave fora.

3 comentários:

  1. Depois de ler esse post, acho que vou até o "quartinho do meu coração" e queimar a minha coleção de baús.
    Que nos pedestais desta vida sejam erguidos a PAZ, a FÉ e o AMOR. Aquela que traz unidade, a outra que tem esperança e este que nunca suspeita o mal !

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  2. Que lindo!!!

    Tem poética de obra de arte!

    Parabéns...
    Rogério

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