segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O vento e a árvore

Tu és o vento,
e eu sou a árvore.
Vento, se pára, morre,
árvore, sem raiz, seca.
Tu vens ligeiro, me dar carinhos e balançar flores,
mas logo vai embora.
Eu, casca dura e muitos espinhos, ficarei plantada onde estou.
Vento, cavalo xucro, não tem morada,
tem redemoinho e estrada.
Como pode o vento se enamorar de árvore?
Acaso pode a árvore ir morar com o vento?
Mas não me causa pesar, não me causa dor o meu medo.
Fecho os olhos e te espero passar pra me abraçar, tempestivo.
Pra arrumar teus cabelos ventados e te dar beijos floridos,
antes que tu vás embora
e antes que venhas outra vez.
Mas como pode o vento se enamorar de árvore?
E acaso pode a árvore ir morar com o vento?

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Ainda se eu fosse como o Drummond,
mas só me restou ser gauche na vida...
:(

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Ane, Ca, Duda, Paula.

  Sinto saudades delas e de nós todas juntas.
  Sinto falta das ruelas caminhadas aos risos.
                                                         Dos pisos em que, conversando tanto, deitávamos
                                                                                                                 Dos "tá, vamos"
                                                                                                                         Dos amos.
Tenho rompantes de mim
Não sei se são de ficar cheia ou vazia,
Quando se permite alguém a chegar perto
E ter rompantes de outro.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

ZzZz 2

É que quando durmo, termino o que comecei, e só recomeço um outro começo amanhã. Na verdade não termino, acabo meio assim-assim, porquê sim. E agora, a parte que me incomoda são os inícios, os fins ou os assim-assins?

ZzZz

Que falta de sono... Hoje estou viva demais para dormir.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Sintomatologia

Se você vai ao médico, vai descobrir que tem alguma desordem.
Se você vai à igreja, vai descobrir que até que você é um cara legal.
Se você vai à Cristo, vai descobrir que você é miserávelmente pecador.

Desculpa, doutor, mas preciso de segunda opinião.
Desculpa, pastor, mas vou mudar de igreja.
Obrigada, Senhor, por me amar tanto assim.

sábado, 15 de setembro de 2012

A questão é:
estou preparada para perdoar a traição do meu cônjuge, assim como Deus perdoa todas as minhas traições para com Ele?

domingo, 26 de agosto de 2012

Amor à três

     O Amor não é bem assim. Amar outra pessoa que não lhe deve nada, que não tem o mesmo sangue que você e que é completamente falho é a coisa mais difícil desse mundo. O inverso também é verdadeiro. Não o inverso do amor, porque odiar é muito mais fácil, e ser indifirente é logo ali. Mas alguém amar a mim, que não me deva e que não me tenha o sangue é mais difícil do que loteria. Não pela probabilidade (com sorte), mas pela dificuldade de acertar. Na verdade a gente passa a vida toda tentando acertar. Por eu ser como sou, e me conhecer bem, fico pensando que só pode ser impossível. Não vai dar pra alguém aguentar tanta mania, ninguém vai se adaptar ao meu jeito, nenhuma pessoa vai me entender. E eu, desse jeito meu, vou conseguir amar alguém que não vai se adaptar a mim, e a quem eu mesma terei que me adaptar?
     É inevitavelmente impossível.
     Deus, por ser do jeito que é, me amou, e amou quem eu não vou conseguir amar. Eu nunca em toda uma vida, com o mais suado esforço, com todos os métodos que possam existir, não conseguiria alcançar a Deus, suas "manias", seu jeito, sua perfeição e santidade. Ele nunca me amaria, se dependesse de mim, porque eu nunca conseguiria merecer isso. E Ele sabe, sempre soube, que eu erraria um milhão de vezes, e em mais 500 mil o deixaria triste. Mas Ele, que é o Amor em si mesmo, me ensinou que Amor de verdade não exige merecimento, menos ainda esforço e recompensa. Sua graça me mostrou que, justamente, receber algo sem merecer só multiplica o Amor naquele que recebe. A Graça é uma semente que o Deus poderoso, serena e não severamente, planta, e que dá frutos de mais amor e gratidão. Nada do que eu fizer vai conseguir fazê-lo me amar menos ou mais.
     Quem eu sou nunca vai me ajudar a ser amada por alguém e também a amar, porquê eu sou pessoa, e pessoas decepcionam, erram e machucam. Eu, sendo pessoa, tenho razão em considerar essa tarefa impossível, os românticos que me perdoem. Mas Deus é Deus e não pessoa, não é pessoa pra falhar e mentir. Se uma pessoa amar a Deus, nunca será decepcionada. Se duas pessoas compreenderem que Deus não mudará jamais e colocarem seu amor nEle, talvez exista uma chance de que consigam cumprir a árdua tarefa de amar, pois quando (e não "se") um dos dois falhar, ainda restará o Primeiro, que não se abala. Pela Sua Graça que perdoa sem merecer, talvez seja possível perdoar e seguir em frente, talvez seja possível lembrar que aquele de quem muito foi perdoado, muito ama. Talvez seja possível terminar uma tarefa iniciada de um jeito e que muda tanto pelo caminho e que é imprevisível. Talvez seja possível cumprir promessas feitas há tanto tempo  mesmo quando está tudo diferente e as coisas não tem mais graça. Talvez seja possível manter algum sentimento depois da paixão ter ido embora, mesmo que amor não seja sentimento, mas decisão. Talvez seja possível não esquecer o motivo de se estar junto e de ter feito uma aliança há tanto tempo atrás. Talvez seja possível ter manias e dividi-las, ter um jeito e ter mais dois ou três, ter um coração quebrado e refeito, ter que renunciar coisas todos os dias, ter que encontrar a beleza por trás da calvície que levou embora o príncepe.
     Não por que se é pessoa, mas porquê Deus é Deus.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Em espanhol, "despeço-me" se escreve "me despido". Outro dia parei no meio da loja em que a música estava tocando e finalmente entendi porquê solidões, faltas, despedidas e adeus nos fazem sentir nus.

Casa de mim

De lá pra cá e daqui pra lá. Vagarosamente, não estou ainda aqui, mas não mais lá... a sensação de não - mais/ainda - pertencer não é nova, mas a situação sim. A vaguidão, talvez.
Aí eu penso, como se define em que lugar a gente mora? Onde passa mais tempo, talvez.
Tenho morado dentro de mim.
.
.
.
Ih, essa casa anda meio vazia...

terça-feira, 31 de julho de 2012


- No fundo, bem no fundinho, nada faz muito sentido.
Mas o vô Agripino, na sua sabedoria, retruca:
- Sentido de sentimento no passado?
Ás vezes eu escrevo coisas que acho estranhas. Engraçado, estranhar o interior da gente mesmo! Vai ver é porquê ele está do lado de fora, nas letras.


- Mas e meu cabelo hoje, com esse vento-norte... disse uma nuvem, escabeladamente branca.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

A grande questão é se sua loucura fica do lado de fora ou do lado de dentro da  pele.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

De repente, ficar adulto é varrer umas dorezinhas pra debaixo do tapete. É sentir saudade cada vez de mais coisas, mas também ter tantas outras saudades por sentir ainda. É fazer de conta que as coisas fazem sentido, quando se tem certeza que a gente só entendia o mundo mesmo, quando se era criança. Pelo menos a parte que realmente importa do mundo.
Às vezes eu acho que um psicólogo, em tudo o que faz,
precisa ser um espelho, nada mais.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

E quanto a você... você ainda me dói.
Só não sei qual parte, só não sei se todas.
Acho que mais a parte que não está, as todas-partes da ausência.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

E sim, eu gostaria muito de me libertar dessa sociedade!



Please, please, please, Lord, grant me freedom all the time, everywhere.
Quando a gente é criança, acha que os adultos podem fazer o que quiserem. Quando a gente é adulto, vê que quem pode fazer o que quiser são as crianças. Ou que pelo menos elas precisam de menos parafernálias e normas sociais para serem felizes todos os dias.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

No fundo, no fundo, todo pessimista é um baita otimista. Ele sempre espera o ótimo, tão ótimo que nem o melhor otimista esperaria ser possível, pra poder dizer: viu, foi péssimo!

terça-feira, 15 de maio de 2012

Sem palavras

Se minhas palavras não valem mais nada (se é que já valeram), então não há argumentos que eu possa usar. Nem mesmo o argumento do amor poderia retroceder a decisão do silêncio...

terça-feira, 17 de abril de 2012

Porco-espinho

Não adianta nada ter visto e tocado a "beleza aliada à vontade de amar" quando se é um porco-espinho como eu.
Porcos-espinhos não podem chegar perto de ninguém sem machucar, não podem abraçar sem causar problemas, não podem ter ninguém tão perto assim. Ninguém ouve um porco-espinho, e quando alguém ouve, não acredita que ele realmente queira alguém por perto, e queira muito... sabe, espinhos não esquentam muito.
Dizem que os espinhos são pra proteger um interior mole, mas quem se importa? Pra ver isso, teria que chegar bem perto, mas aí tem os espinhos. Toda vez um porco espinho diz "olha, eu tenho alguns espinhos, mas se você chegar com jeitinho, vai aprender o caminho pro meu interior", alguém se aproxima, dá uma olhadela, e logo sai. Um ou outro tenta chegar mais perto, e os raros enxergam alguma coisa ali. Mas claro, aí tem os espinhos. Dói. Nas pessoas e em mim.
Porcos-espinhos vêem muita gente de costas, porque estão sempre indo embora...

quarta-feira, 11 de abril de 2012

"A beleza do sentir aliada a vontade de amar"

Li em facebook alheio e fiquei (suspirantemente) emocionada.
 
"Não procure beleza em corpos perfeitos cuja mente e o coração se encontram vazios. Procure mesmo aquela beleza que muitos descriminam e que poucos observam. A beleza que é vista somente por aqueles que a possuem sem sequer saber; que não se... preocupam com futilidades impostas de tempos em tempos e que louvam mais o estar do que o ser. É essa a verdadeira essência do belo com a qual deves se encontrar. A beleza vista do espírito para fora. A beleza do sentir aliada a vontade de amar. Essas são as únicas que duram e nunca envelhecem, mudam ou morrem."
Eduardo Orlando Holopainen

quinta-feira, 15 de março de 2012

Asas de vento norte

Estava sentado, mas sua alma tinha asas. Asas tão lindas e brilhantes, grandes e seguras que competiam com o sol, e quando batiam traziam o afago quente do vento norte, que dá vontade de voar, de correr, de amar e de viver. Porque em suas asas tem muitas histórias, tem gente, tem vagalume, tem flor, tem um pouco de dor, tem vida, e Vida em abundância.
Ele às vezes esquece que tem a alma alada... mas eu, que sem óculos às vezes enxergo outras coisas, escrevo pra tentar colocar meu olhos em seu coração, e suas asas na minha alma. Eu, que não tenho asas e não sei voar como ele, escreveria um milhão de palavras todo o dia, só pelo prazer de ver suas asas batendo, de ver o sol se escondendo diante do seu riso largo de quando voa. Escreveria ainda mais algumas, só pra ficar sentada ao seu lado em dia de vento norte.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Limbo

De repente ela foi imersa em solidão e silêncio,
num mundo acelerado, ela em slow-motion.
Um desfile de realidades diante de seus olhos,
olhos cheios d'água, que aumentam tudo.
Se sentiu amavelmente desamada.
E denovo se desalmou, antes que alguém mais o faça.
Se armou, com razões e porquês, com auto-piedade.
Limpou, arrumou, organizou, explicou.
Dessa vez deixou alguns espaços vazios.
Tirou o pó, jogou coisas fora.
Por dentro e por fora.
Quis encaixotar sua alma denovo,
mas ela não cabia mais na caixa.
Ficou com a alma nas mãos, tentando calá-la sob as cobertas.
Tentou congelá-la denovo, mas sentiu cócegas.
Tentou fugir dela, mas voltava ao mesmo lugar.
O problema, disse ela à sua alma,
é que depois que estive viva,
impreterivelmente viva,
não existe em todo o meu vasto e antigo arsenal
opção mais cabível.
Opção mais alegre ou mais terrível.
Colocou sua alma de volta ao lugar,
não sem relutar um pouco,
sentou na beirada da cama, respirou um ar vazio.
Ainda ouviu o silêncio...
mas também enxergou a lua.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Se dizem que a cor das pessoas não importa, porque o formato delas importa tanto?

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Desabafo

Eu vi a colina verde logo ali. Mas não consegui chegar, pelo mesmo e velho motivo: eu, eu, eu e eu. É duro quando meu eu mesmo me impede de viver. Lembrei, denovo, o meu motivo de sempre. Lembrei que entre eu e eu, os dois perdem, e dói. Já posso colecionar quem eu perdi. Quando meu eu mesmo não nasceu pra ser eu mesmo... nada mais se pode fazer. Estou cansada de correr e correr, sem nunca sair do lugar, estou cansada de ficar parada e o lugar sair sem mim. Estou cansada de enxergar a colina e nunca poder andar sobre ela. Estou cansada de não conseguir gritar, e de nunca ter palavras. Estou cansada de cansar... e não consigo mais me mover. Por hora, vou fechar meus olhos e meus ouvidos, vou virar uma estátua de sal.